quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Terra Devastada - Resenha!


Fala galera!


Empolgado em iniciar um projeto de narração de RPG com temática de apocalipse zumbi via grupo no Facebook, utilizando como sistema o Acepção, de Terra Devastada, me atentei para o fato de que nunca fiz a resenha desta pérola do RPG indie nacional.

Como ele merece e muito, com as devidas desculpas pelo grande atraso, segue a referida resenha. Espero que gostem!

"Ruas Desertas, vidraças quebradas, carros abandonados, buracos de balas nas paredes dos prédios... Sangue, moscas e pedaços de carne humana decorando todo o ambiente... Esse é o cenário atual da maioria das cidades espalhadas pelo mundo.


Cidades fantasmas, devastadas...

O silêncio é quebrado apenas pelo gemido e andar trôpego de um ou outro zumbi que perambula sem rumo por entre as ruas. Eles caçam, matam e os que não são completamente devorados retornam como membros dessas turbas de monstros.

Quanto tempo você é capaz de sobreviver ao Apocalipse Zumbi?"

Terra Devastada, "Um Jogo Narrativo de Sobrevivência, Horror e Zumibs" é um RPG indie de temática apocalipse zumbi criado por John Bogéa (Sala 101), e lançado em 2011 pela nossa querida Retropunk Editora. O jogo utiliza o sistema Acepção, de criação do próprio autor.

O livro inicia com o relato de um sobrevivente. Este relato retrata passagens da vida deste sobrevivente desde antes de tudo iniciar até estar de fato no meio do inferno. Em forma de diário, o autor nos passa toda a sensação de desespero e desilusão que imperam em cenários deste tipo. O relato de poucas páginas já te joga de cabeça no clima do jogo.

O Capítulo I - Devastação da Terra, assim como os seguintes, inicia com um outro diário de sobrevivente muito bem escrito e em seguida nos apresenta o mundo devastado após o apocalipse zumbi em várias perspectivas. Neste capítulo o autor se preocupa em destacar várias facetas do apocalipse zumbi, ilustradas como notícias de jornal e notas escritas por sobreviventes desesperados. Ainda no primeiro capítulo, são discutidas as organizações mundiais (governamentais ou não), a sociedade, política e religião, entre outros. Um banho de informações e inspirações. Durante a leitura vem em mente vários filmes, séries, livros e etc. Enfim, toda a referência do tema pode ser vista aqui.

No Capítulo II - Sobreviventes e Refugiados, após mais um diário de sobrevivente, o autor nos apresenta o sistema utilizado no jogo. No início do capítulo o autor explica o objetivo do livro, traz uma lista grande de referências em vários tipos de mídias (cinema, televisão, documentários, quadrinhos e literatura), mais um banho de inspiração. Em seguida é tratada a Criação de Personagens, conhecidos neste livro como Protagonistas. A criação é muito fácil e intuitiva e nos dá a liberdade de criar qualquer tipo de personagem, sem se preocupar em balancear pontos e estatísticas, afinal, no apocalipse zumbi não podemos esperar ver somente pessoas "do mesmo nível". A criação do protagonista consiste basicamente em dar um Nome ao seu personagem, elaborar uma Citação legal, distribuir uma série de Características que o definam e contar um breve histórico do mesmo, de onde são tirados os demais atributos da ficha. Os demais atributos presentes na ficha são: Trunfo (uma frase ou duas que retrate a maior realização pessoal do personagem), Convicção (uma medida numérica que representa a força de vontade do personagem em continuar lutando em meio ao caos instaurado), Drama (uma frase que defina a pior situação vivenciada pelo personagem), Horror (outra medida numérica, esta representando como o apocalipse, bem como as demais desventuras da vida afetaram o personagem. Este atributo também mede as limitações morais do personagens). Por fim, temos as Condições (situações temporárias que afetem o personagem de forma positiva ou negativa).Cada um destes itens é claramente explicado pelo autor, sempre recorrendo a exemplos. O capítulo termina com sete protagonistas prontos para o jogo. Todos eles muito bem construídos e diversificados, podendo ser utilizados como personagens jogadores ou npcs.

Chegando ao Capítulo III - Resolução de Conflitos, mais um diário de sobrevivente é apresentado e então o autor trata da resolução de conflitos propriamente ditas. Neste capítulo nós aprendemos como quando e porque rolar os dados, bem como a utilização dos atributos Horror e Convicção. Tudo o que é básico na mecânica de regras do sistema é tratado aqui, como os diversos tipos de ações que surgirão durante a narrativa, modificadores de situações, cálculo de iniciativa, combate, entre outros. Enfim, tudo o que é preciso saber está aqui e também muito bem explicado.

O Capítulo IV - Mestre dos Mortos, como o nome diz é dedicado ao mestre/narrador do jogo e igualmente aos outros capítulos também inicia com um diário de sobrevivente. O capítulo todo é um guia para aquele que assumirá a missão de levar o caos aos jogadores. Eles traz algumas dicas de jogo muito boas e mostra uma sugestão de construção de aventuras separadas em tópicos e divididas em capítulos e temporadas, assim como as séries do gênero (ex.: The Walking Dead). Encerrando o capítulos o autor apresenta ideias de antagonistas diferentes dos zumbis, como animais e humanos por exemplo.

No Capítulo V - Sociedade dos Mortos, dedicado aos "astros" do cenário, após o diário de sobrevivente, como de praxe, o autor explica sobre a fisiologia dos zumbis, fala sobre o comportamento dos mesmo e apresenta vários tipos de zumbis diferentes para serem usados em campanhas. Neste capítulo também aprendemos um pouco sobre como o processo de infecção age no ser humano. No fim deste capítulo o autor apresenta doze fichas de zumbis, totalmente diferentes entre si para serem usados em aventuras.

Chegando ao último capítulo do livro, Capítulo VI - Estrada para o Inferno, o autor nos presenteia com uma aventura pronta, muita boa por sinal. Construída nos moldes do que foi apresentado no capítulo IV.

O livro é uma obra de arte. As imagens são muito bem feitas, a diagramação e a arte são "nojentamente" inspiradoras, com páginas envelhecidas, recortes de jornais, notas escritas à mão por sobreviventes, moscas para todos os lados... Enfim, não há o que se falar. Simplesmente brilhante!

O sistema de regras, batizado como Acepção, além de se encaixar perfeitamente com o tema proposto, torna-se um sistema bastante genérico e facilmente adaptável, conforme eu mesmo já fiz em várias postagens deste blog.

O livro vale muito a pena, seja pelo sistema de regras muito simples e bem construído, seja pela chuva de inspiração que ele contém ou pela delícia que é saborear suas páginas. 

Se você gostar, pelo menos um pouco, do tema, é impossível ler este livro e não ficar louco para jogar o quanto antes.

É isso galera! Espero que tenham gostado, mais uma vez me desculpo pela demora nesta resenha e recomendo fortemente o jogo.

Grande abraço a todos e até a próxima!

LINKS RECOMENDADOS:



Barrow Devastada (baseado no filme/hq 30 Dias de Noite): http://caminhodasebe.blogspot.com.br/2013/06/barrow-devastada-30-dias-de-noite-para.html